Educação Especial e seus primórdios
Assista ao vídeo abaixo que demonstra os principais fatos históricos sobre a educação especial:
A educação especial, entendida como área do conhecimento que se
ocupa do atendimento educacional das pessoas com algum tipo de
deficiência, tem início no século XIX(19).
Mas quem foi o pioneiro da educação especial?
Foi Jean- Marc Gaspard Itard (1774 – 1838)
Itard teve ampla experiência no atendimento a pessoas surdas, tendo atuado
durante muitos anos no Instituto Nacional dos surdos-mudos de Paris.
- Desafiou a visão estática e irreversível existente na época a respeito da
idiotia, por meio de sua experiência educativa com Victor ;
- Defendeu a tese de que o menino não era acometido por idiotia orgânica,
mas que suas dificuldades e defasagens eram consequência do isolamento
em que vivera (TEZZARI, 2011).
Naquele momento histórico, em que a exclusão das pessoas consideradas
desviantes do convívio com a sociedade, era “a” atitude oficial, Itard optou pela
não exclusão, pela busca de meios (a educação) para integrar aquele menino.
- Ele discordou do diagnóstico que havia sido feito por Pinel com base nas faltas
do menino e, por comparação, a outros sujeitos acometidos pela idiotia.
- Adotou uma postura radical, em que rejeitou uma dimensão de danos de
origem orgânica, que, ao que tudo indica, também exerciam alguma influência
na condição de Victor. Porém foi exatamente a radicalidade dessa postura antiinatismo, que permitiu que Itard desenvolvesse toda a experiência com o
“menino selvagem”. (TEZZARI, 2011).
Itard trabalhou com Victor durante seis anos e, para esse trabalho,
estabeleceu objetivos que podem ser considerados elevados, pois
implicavam na estimulação, na ampliação da sensibilidade à experiência
sensorial, na conquista de habilidades como a fala e o desenvolvimento de
conhecimentos escolares como a leitura e a escrita;
- Itard considerou que havia fracassado. Com efeito, um dos objetivos que
o mestre considerava mais importante não foi alcançado: levar Victor a falar.
Entretanto, isso não invalida todo o trabalho uma vez que muitos
objetivos foram alcançados. Em seus relatórios, é possível depreender
que o menino, efetivamente, construiu conhecimentos e aprendeu muito.
- Jean Itard, após sua experiência com Victor, voltou seu trabalho aos
alunos do Instituto Nacional dos Surdos-mudos. Ali deu continuidade à
sua carreira como médico otorrinolaringologista, mas, ao mesmo tempo,
desenvolveu ações de caráter pedagógico e era crítico à crença de que
os surdos, em função dessa deficiência sensorial, eram menos capazes
que as demais pessoas. (TEZZARI, 2011).
O legado de Itard foi esquecido, ou parcialmente reduzido à discussão
das práticas pedagógicas como técnicas de ensino. Perde-se, assim, o
que ele tem de precioso e que nos convida a reler sua obra: o
entendimento de que o homem é um ser de relações, para o qual a
educação é fundamental para sua constituição como ser social,
histórico e cultural.

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